terça-feira, junho 27, 2006

"Seqüestraram um soldado"

O seqüestro de um soldado israelense no último domingo trouxe a Israel a lembrança amarga do incidente que ocorreu há vinte anos e ainda não tem nenhuma resolução. O capitão israelense Ron Arad (na foto), que foi seqüestrado no Líbano em 1986, hoje dá nome a ruas, a auditórios, a pavilhões em universidades em Israel e no mundo judaico...

Já se vão duas décadas e até o momento nenhuma notícia concreta sobre o paradeiro daquele jovem que deixou mulher e filha. Nem se está morto, nem onde está sendo mantido, se vivo. Uma recompensa de 10 milhões de dólares foi oferecida por informações que levem a ele. Nada.

Vinte anos depois, as manchetes estamparam nesta semana que um soldado foi seqüestrado. Outro, mais um, o primeiro em 12 anos. Ainda com o gosto amargo pela abdução de Arad, Israel resolveu atacar a Faixa de Gaza. Voltamos à bola de neve da violência no Oriente Médio.

A escalada de violência acontece em um momento que pode ser importante para a região: grupos representados de um lado pelo Hamas e de outro pela Fatah assinaram um documento que prevê o estabelecimento de um Estado palestino ao lado de Israel.

Embora seja visto com muito ceticismo em Israel, o acordo pode significar o primeiro reconhecimento oficial do Hamas ao direito de existência do Estado judeu.

Mas, diante de uma situação como essa, política e acordos não importam tanto. Israel prende a respiração e aguarda notícias sobre o soldado seqüestrado, um menino de 19 anos que está nas mãos de terroristas. O país, que ainda se lembra do amargo de Ron Arad, espera não sentir esse gosto mais uma vez.

[PARA OUVIR] Falei a respeito do seqüestro do soldado e das reações na Radio France Internationale no dia 27, ontem e hoje. Outras entradas minhas na RFI aqui.
[BASTIDORES] No Blog do Bean tem uns comentários de bastidores sobre um dos dias em que transmiti para a RFI. Quando eu estive no Brasil, em janeiro, ele - que é meu flatmate - esteve no meu lugar como correspondente para a rádio francesa.
[MAIS] Canal especial sobre o seqüestro do soldado israelense Gilad Shalit no YNet News, aqui e sobre os ataques à Faixa de Gaza, em resposta, no Ha'aretz , aqui.

sexta-feira, junho 23, 2006

Fundamentalismo preconceituoso

If gays will dare approach Temple Mount
during parade – they will do so over our dead bodies

Ibrahim Sarsur, deputado árabe

'The feeling is that Jews disgrace Jerusalem's
holiness with the government's encouragement
'
rabino israelense


Está na capa do YNet News de hoje: judeus e árabes juntos contra gays, aqui. Confesso que senti uma mistura de alívio (judeus e árabes unidos por uma causa?) e desprezo. De novo, o fundamentalismo dá as caras, dessa vez na faceta preconceituosa contra os homossexuais.

Para quem não sabe, estão agitando para daqui a dois meses uma parada gay em Jerusalém, que certamente vai ser bem menor que a que rolou recentemente em São Paulo. Os ortodoxos - dos dois lados, como mostra a matéria do YNet News - são contra.

Não é novidade. No ano passado a parada em Jerusalém, a primeira realizada na capital, acabou mal. Um judeu ortodoxo esfaqueou um dos 4 mil participantes da marcha colorida, que parou o trânsito e estampou manchetes.

A coisa é bem diferente do que rola em Tel Aviv, onde a sociedade é bem mais liberal. Parecem dois mundos, separados por apenas 45 minutos e por pelo menos duas linhas de ônibus freqüentes.

Mas o que me deu mais bronca foi outra declaração do mesmo deputado árabe que eu coloquei lá no alto. Para ele, o "ataque" da parada gay contra a "identidade dos jovens árabes da cidade" é "mais feroz do que o ataque sionista para judaizar Jerusalém".

Tomara todos os nossos problemas fossem a "ameaça gay".

Estou indo para Tel Aviv passar o dia.

[NO GRAMADO] E por falar em polêmica e Israel, mais uma, agora com a Copa: um jogador do time de Gana (que vai enfrentar o Brasil na terça) mostrou em um jogo, depois dos dois gols que marcou, a bandeira israelense. É que ele joga aqui, quis fazer uma espécie de agradecimento e homenagem. Se deu mal. Teve que pedir desculpas oficialmente por poder ter ofendido alguém. Absurdo... O Bean conta mais no blog dele, aqui.

quinta-feira, junho 15, 2006

Amigo é pra essas coisas...

Parece piada em se tratando do país no qual mais pessoas morreram na história recente vítimas de terror. Mas é verdade: morre-se mais em Israel em acidentes de trânsito do que em atentados terroristas.

Todo dia há notícias de acidentes, com imagens e números chocantes... Da mesma forma que falam da previsão do tempo, falam em quantos se arrebentaram nas estradas.

E não acontece só no noticiário. No feriado de independência eu estava com o carro do meu pai e fui para uma rave em Tel Aviv (sim, eu numa rave). Na volta, dirigindo pela estrada em direção a Netania, onde ele mora, estava meio aflito porque estava bem cansado, pescando no volante, e de repente vi dois carros arrebentados no caminho.

É... Os israelenses têm uma capacidade incrível de detonar os carros e provocar acidentes hollywoodianos, mesmo dirigindo carros modernos em estradas-tapete, perfeitas, que são recapeadas e repintadas a cada poucos meses. Fora que não são muito mestres em cuidar dos carros, que vivem sujos, riscados. Vai entender...

Bom, o resultado de estatísticas tão tristes não poderia ser outro: campanhas e mais campanhas pela conscientização ao dirigir. Uma delas, que está no ar na rádio Galgalatz, provavelmente uma das mais ouvidas daqui, fala do famoso "amigo da vez", o escolhido da noite para dirigir e não beber, e trazer os amigos de volta para casa seguros.

O conceito, também usado no Brasil, é o mote da campanha Im shotim lo nohagim, bishvil ze iesh chaverim. A frase tem sentido duplo em hebraico. A palavra shotim, dependendo de como é grafada, significa "bebem" ou "idiotas". Im idem - pode ser "se", pode ser "com". Ou seja: "com idiotas não se anda", "se beber não se viaja" (também nohagim tem sentido que cabe nas duas versões).

domingo, junho 11, 2006

O caro pacote da Copa

A bola já está rolando nos gramados da Alemanha e por aqui em Israel o que rola é uma polêmica: quem pode ver os jogos. Tudo isso porque uma TV comprou os direitos e fez um pacote, que custa mais de 100 dólares, para transmitir os jogos. Significa que além da assinatura dos serviços de cabo, os israelenses teriam que pagar um adicional.

Se fosse no Brasil, isso seria razão suficiente para um quebra-quebra, uma revolução civil! Mas como Israel não é, nem de longe, o país do futebol, apesar de ter estado bem perto da classificação e de poder participar pela segunda vez de um "mundial", o máximo que rolou aqui foi um boicote e uma petição. O resultado: "apenas" 38 mil pessoas assinaram o serviço.

A partida inicial, entre os alemães e a Costa Rica, rolou num canal aberto. A segunda, na qual o Equador lavou a Polônia, diminuindo minhas chances no bolão do qual estou participando, só viu ao vivo quem pagou os 100 dólares! Eu vi porque uns amigos compraram o caro pacote da Copa... Na terça-feira, estréia do Brasil, as TVs vão transmitir o jogo, contra a Croácia. Mas não vou estar diante da TV - vai rolar festinha brasileira num bar aqui, com direito a telão e cerveja!

E não quero nem saber. Adotei a campanha do Batendo Bola, e para mim, dia de jogo do Brasil é feriado, mesmo em Israel! Vou sair pro bar enrolado na minha bandeira gigante, com camisa canarinho... Enfim, o espírito é o do vídeo abaixo!



Enfim, minha torcida é mesmo pela Costa do Marfim!

[MAIS]
Especial BBC Copa do Mundo, em português.

quarta-feira, junho 07, 2006

Uma dura entrevista

Não gosto de postar aqui duas vezes tão próximas, mas me vi na quase obrigação de fazer isso depois de ler a entrevista publicada pela Der Spiegel, da Alemanha, com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (na foto ele aparece em discurso na Assembléia Geral da ONU, em setembro).
Enquanto a maioria da mídia parece ter medo de fazer as perguntas certas e de colocar ditadores contra a parede, a revista alemã foi a Teerã e fez isso. A entrevista, que virou um bate-papo duro com Ahmadinejad, é excelente. O presidente do Irã tenta virar a mesa em diversos momentos fazendo perguntas retóricas aos repórteres, que não deixam barato e rebatem à altura.

SPIEGEL: Mr. President, we're talking about the Holocaust because we want to talk about the possible nuclear armament of Iran -- which is why the West sees you as a threat.

Ahmadinejad
: Some groups in the West enjoy calling things or people a threat. Of course you're free to make your own judgment.

SPIEGEL
: The key question is: Do you want nuclear weapons for your country?

Ahmadinejad
: Allow me to encourage a discussion on the following question: How long do you think the world can be governed by the rhetoric of a handful of Western powers? Whenever they hold something against someone, they start spreading propaganda and lies, defamation and blackmail. How much longer can that go on?

A entrevista tem um valor muito grande, por ter sido feita por uma revista alemã, país que vai sediar a Copa 2006 (que começa sexta-feira, já). Vale lembrar que o Irã quase foi riscado dos jogos por conta das declarações do presidente sobre o Holocausto e sobre Israel.

A entrevista aparece poucos meses depois de o presidente iraniano ter colocado em dúvida o Holocausto. Em diversos pontos da entrevista, em inglês, Ahmadinejad tenta argumentar que se a Alemanha é responsável - legal ou moralmente - pelo Holocausto, o Estado de Israel deveria ser instalado na Europa.

Enfim, um must-read.

[MAIS]
Na mesma Der Spiegel, especial sobre Oriente Médio, com notícias e análises sobre a região em inglês.

terça-feira, junho 06, 2006

A seguir escenas del próximo capítulo...

Não é à toa que em Israel se falam tantos idiomas, e tão bem, e mesmo por gente que não tem pais ou avós de determinado país. Outro dia encontrei uma russa que trabalha em um fast food de comida chinesa e fala português bem demais para alguém que não tem pais brasileiros. Ela não tem. Tem é o hábito de ver novelas brasileiras, o que a ajudou a aprender o idioma. Bom, é o que ela diz...

Espanhol, muito mais comum nos canais Viva ou Viva Platina, onde a maioria das novelas é argentina ou mexicana mesmo, é fácil de achar pelas ruas, não apenas falantes, mas entendedores, e bom entendedores - afinal, há muitos olim chadashim de países de fala hispana. Fica até arriscado falar em espanhol no ônibus se você não quiser que ninguém te entenda além do seu interlocutor. E há sempre a chance de ouvir a pergunta:
Eize safá atem medabrim? Que língua vocês estão falando?
É... Israel não é o país das dublagens, definitivamente. Qualquer programa em qualquer idioma e em qualquer canal de televisão (menos os russos...) é legendado - filmes, novelas, documentários, programas eróticos... Mantém-se o original com suas qualidades e defeitos. E o povo aprende outros idiomas.

Isso, claro, sem contar que é um ótimo exercício para quem está aprendendo o hebraico. Em casa, por exemplo, é programa quase religioso sentar diante da televisão, todas as tardes, às 18h47, e ver Celebridade. Não apenas porque Celebridade é a única novela que presta, e nem tanto porque é oportunidade de escutar português e ver paisagens maravilhosas do Rio...

Mas muito porque podemos ler as legendas - e em geral morrer de dar risada com as traduções... Duro mesmo é ver no final de cada parte as "escenas del próximo capítulo"...

Do Blog do Bean, imagens da novela captadas na televisão, aqui.

quinta-feira, junho 01, 2006

Horários de shabat

Mais uma da série "coisas que só em Israel", essa foto. Acho que é algo exclusivo de Jerusalém, não me lembro de ter visto em nenhuma outra cidade por aqui (vale lembrar que a capital tem muitos judeus ortodoxos, o que aliás faz da cidade uma das mais pobres do país na estatística, já que eles não trabalham e na conta, a renda per capita é menor).

O negócio é o seguinte: alguém afixa esses avisos nas paradas de ônibus, semana após semana, informando o horário de começo (para o acendimento das velas) e de fim do shabat, o trecho semanal da Torá (parashat hashavua) e outras informações úteis para quem é ortodoxo e para quem não é (afinal, os serviços, como os ônibus, páram na tarde da sexta-feira e voltam só no sábado à noite - outra coisa que só em Israel, mesmo).

Hoje não é sexta-feira, mas é erev chag, o que significa véspera de feriado (amanhã é Shavuot). Na prática, é como se fosse manhã de sexta-feira: o shuk (mercado livre) começa a funcionar mais cedo, as pessoas caminham num ritmo mais acelerado porque o dia é mais curto, os ônibus páram de circular ao anoitecer, barraquinhas são montadas pelas ruas para vender flores etc. E, ah, eu não trabalho à noite!

Algumas palavras sobre Shavuot: é uma das festas mais importante do calendário judaico, ao lado de Pessach e de Sucot. Nesse dia, que vem "uma semana de semanas" (49 dias) depois de Pessach, se celebra a entrega das tábuas da lei, a Torá, ao povo judeu no monte Sinai, e também o transporte ao Templo dos primeiros frutos da colheita de cereais.

[Clique na foto para ampliar e poder ler o que aparece no papel!]

sexta-feira, maio 26, 2006

Capital eterna e dividida

Jerusalém. Capital eterna e indivisível do Estado de Israel. Isso mesmo? Deveria ser, de acordo com a tradição popular judaica. A frase é tão consagrada que o título do post parece heresia.
Mas não é. Quem conhece bem esta cidade, sabe que ela não só é divisível como já foi dividida, como as cidades brasileiras nas quais vivem os poucos, mas estimados, leitores deste blog!
Ok, hoje comemoramos por aqui 39 anos desde a reunificação da cidade, durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967 (a data se refere ao calendário judaico). No caminho para o trabalho vi fogos de artifício colorindo a muralha da Cidade Velha, lindo! Mas o fato é que Jerusalém é cidade dividida.

Como nas cidades brasileiras, aqui há lugares onde não se vai, apesar da sensação generalizada de segurança. Não sei vai por ser judeu ou por ser muçulmano. Não se vai por usar kipá ou kfia. Não se vai por medo, o simples medo de não pertencer, de destoar, de ser diferente em uma terra de diferenças.

E Jerusalém não é só aquela cujo nome aparece nos livros sagrados das religiões que insistem em ser parecidas no monoteísmo delas, apesar das diferenças. A cidade de ouro, cujas muralhas brilham nesta época do ano com o sol, tem divisões até no transporte coletivo. Ironia? No lugar em que estatisticamente mais terrorismo acontece no mundo, árabes e judeus têm linhas de ônibus independentes.

O traçado da Cerca de Segurança que rasga Jerusalém divide a cidade dela mesma. Quem pára perto da Cinemateca antes do anoitecer consegue notar não muito longe dali, depois do vale, o muro de 7 metros de altura que divide o cá do lá. Um risco tortuoso e cinza na cidade sagrada para tanta gente. Jerusalém é também a cidade na qual em alguns ônibus os homens se sentam à frente e as mulheres na parte do fundo.

A Cidade Velha, ela mesma, é território dividido, em quatro. Divisões que se entrelaçam. Os bairros são testemunhas de gente que não pertence a eles. Judeus desfilam seus ternos e chapéus pretos nas ruas com nomes árabes ou armênios. Kfias vermelhas ou pretas passeiam por esquinas do bairro judeu. Todos visitam o "quarto" cristão...


Tem uma frase interessante, que eu cito de memória, de um autor de quem não me lembro o nome agora. Jerusalém é um local esquisito: é o único local onde árabes muçulmanos vestindo trajes tradicionais vendem símbolos cristãos a peregrinos do mundo todo em troca de uma nota de dinheiro que estampa a imagem de um rabino... No final das contas a cidade dividida une religiões, une fés, une povos separados pelas diferenças.

Mas a notícia do dia por aqui foi outra, como o Pedro Doria comentou lá no NoMínimo.

[CLICK] As fotos, que não são minhas, apresentam algumas facetas da Jerusalém dividida.
[NOMÍNIMO] Entendi a razão de tantos comentários nesse post - o mesmo Pedro Doria falou do assunto e linkou o 23a idade lá no NoMínimo. Embora não concordemos na polêmica "unificação x tomada", gostei de ver o 23a em um dos sites que leio todos os dias!

quarta-feira, maio 24, 2006

Suco de laranja grátis *

this is an audio post - click to play
Eu sei que a gravação ficou péssima, até achei que não tinha entrado aqui. Mas o que eu conto é que estavam distribuindo suco de laranja (a laranja é uma espécia de símbolo de Israel) pelo dia de Jerusalém na kikar Tzion, um dos lugares mais movimentados de Jerusalém. Contava também que a cidade está ficando de novo cheia de turistas porque o calor está chegando e o período de férias também! Foi isso!

Quer ver o que eu vi? Aqui o sujeito com o microfone, fazendo a barulheira que vocês ouviram. E aqui tem até um ortodoxo na fila para o suco! Tem outra, aqui, do pessoal se esmagando para pegar o suco!

sexta-feira, maio 19, 2006

Confusão na Faixa de Gaza

Rolou tiroteio em Gaza ontem à noite por causa dos conflitos entre a polícia da Fatah, do presidente Abu Mazen, da Autoridade Palestina, e a "Unidade de Apoio", nome das forças de segurança que o Hamas decidiu colocar nas ruas. Falei a respeito na RFI hoje cedo. Contei também que a ministra israelense de Exterior vai se encontrar com o Mazen no domingo, mesmo dia em que o premiê Ehud Olmert viaja para os EUA. Para ouvir, aqui.

[MAIS] Outras entradas minhas na RFI aqui.

segunda-feira, maio 15, 2006

Cheiro de feriado...

Alguns feriados aqui têm um cheiro especial, próprio, característico. É o caso de Yom haAtzmaut, o dia da Independência. Como o país inteiro faz churrascos, embora a maioria das pessoas em geral não se preocupe necessariamente com o significado da data, o cheiro de carne assando na grelha se espalha pelo ar. Meu irmão, que tem quatro anos, semana passada comentou - em hebraico, claro! - quando íamos para o tradicional al ha esh (churrasco) que o cheiro de carne era forte!

Hoje é Lag baOmer, dia de acender fogueiras! E é outro dos feriados com cheiro característico. Abri a janela para ver se estava frio (já, já estou saindo para o trabalho) e senti cheiro de fumaça no ar! Tinha até esquecido que é Lag baOmer...! Em Israel é assim: a lua, os cheiros, a decoração... tudo faz lembrar o que comemoramos naquela data.

E na minha São Paulo, a fumaça vem dos ônibus queimados, não de fogueiras comemorativas. Ainda estou boquiaberto diante da CNN, que passou sem parar as imagens do caos no Brasil (só assim o país pode aparecer por lá, né?!) Mas não pude deixar de reparar na imagem em que aparece, em uma cadeia, a inscrição "Feliz dia das mães" rabiscada em uma parede. Ê, povo.

domingo, maio 14, 2006

Mas não com essa farda...

Agora é oficial: não vou mais servir nas Forças de Defesa de Israel como estava previsto desde 2004, quando eu cheguei. Explico: existe uma lei nova, de acordo com a qual quem tem que servir apenas por 3 meses (é o meu caso, porque tinha 25 anos ao chegar) pode escolher entre pedir a dispensa ou servir por um semestre. Tive que dar uns berros para descobrir isso, mas funcionou.

Minha opção foi a primeira. Assinei no dia 10 de abril um documento pedindo dispensa e explicando que já sou muito velho (27 anos, quando os israelenses entram aos 18!), sou formado e tenho trabalho. São razões suficientes para que a Tzahal - que não tem dinheiro para manter um soldado que não vai fazer nada em três meses - me dispensar.
E foi o que aconteceu. Semana passada um telefonema me acordou no meio da tarde e uma soldada, que deve ter dez anos menos que eu, explicou que o serviço estava cancelado. Prometeram que mandariam uma carta avisando das minhas desobrigações militares, mas até agora não chegou nada. E, para quem não sabe, eu deveria ir para o front hoje, como o Carlinhos e o Fábio!

Pode ser que alguém esteja aí se perguntando o que me levou a pedir a dispensa em vez de servir. Eu mesmo saí do escritório de recrutamento me fazendo essa pergunta para só depois me convencer de que tinha feito a coisa certa. O negócio é que já não tenho mais idade e disposição para "trancar" minha vida durante três meses e brincar de ser soldado.

Além disso, outras duas razões, bem práticas. Uma é que eu passaria a ganhar 5% do que eu ganho hoje trabalhando. Outra que, no final das contas, um orgulho jornalístico e essa coisa de achar que a gente pode ser neutro e objetivo falaram mais alto. Agora, então, é oficial: vou lutar mas não com a farda verde-musgo.

Enfim, como tem gente que não escapou, vamos mandar pizza e hambúrguer para eles!

Este post é dedicado à Dé Blatt, que deu a dica: só mesmo armando barraco e batendo o pé em bom e alto hebraico para ser escutado por aqui. Funcionou, e agora posso lutar com outras fardas e outras armas. Vai também para a minha mãe, não só porque hoje é Dia das Mães, mas porque sei quanto é importante para ela me ver longe de armas.

quarta-feira, maio 10, 2006

O orkut dos kibutzim

Só quem já esteve em um kibutz sabe bem - é uma experiência única. Os seis meses que passei em En Dor, no norte de Israel, perto da pacata cidade de Afula, entre abril e outubro de 2002, meses quentes, foram inesquecíveis.

Imagina só: calor, uma piscina gigante, um trabalho que era mais farra do que trabalho, gente do mundo todo, aulas de hebraico a cada dois dias, e... um país inteiro ali ao lado pra conhecer, pra se aventurar - mesmo no pior ano da intifada. Foi assim. Dá saudade.

E aí uma amiga minha, que aliás aniversariou ontem, me contou de um site que é uma espécie de orkut para quem já viveu em kibutzim. Infelizmente é pouco divulgado (quer dar uma força?) e tem muita gente que nem sabe da existência. Mas quem já passou por algum kibutz - qualquer um dos mais de duzentos, pode se cadastrar lá e tentar, com sorte (porque o site não é popular como o orkut, na verdade), achar outras pessoas daqueles dias inesquecíveis.

O site, Kibbutz Reloaded, foi criado por dois loucos - um inglês e um israelense. O inglês, Victor Kremer, conta no perfil dele lá no site que durante o tempo que passou em dois kibutzim, ambos no Negev, ordenhou 270 mil vacas e fumou 426 maços de Noblesse, um dos cigarros mais baratos daqui! O outro, Uzi Dor, nasceu em um kibutz e diz que só nos pesadelos dele os kibutzim aparecem...!

Enfim, fica a dica. Se você já morou em um kibutz, entra lá. Se conhece alguém que morou em um, conta pra ele.

[MAIS] Quer voluntariar em um kibutz você também? Aqui tem informações, em inglês. E essa agência, no Brasil, faz todo o trabalho por você.

sexta-feira, maio 05, 2006

Ligação direta...

Mais uma foto da série "coisas que só em Israel"! Essa eu tirei no Kotel, o Muro das Lamentações, num dia de semana, em que se pode usar celular (e fotografar!) por lá! Fui depositar um petek (bilhetinho) no Muro - atendendo a pedidos - e o sujeito ao lado estava rezando conectado com o mundo! Vale dizer que Israel é um dos países com maior número de telefones celulares per capita! Tem gente que carrega até três! Não existe viagem de ônibus sem pelo menos uma pessoa falando no celular. Crianças têm um aparelho desde cedo... É sem dúvida o melhor amigo do israelense!

[ORKUT] Na comunidade do blog, outras fotos das esquisitices de Israel!

segunda-feira, maio 01, 2006

Memória, independência, do-contras

Feliz dia do Trabalho. Por aqui, não comemoramos a data (o que significa que sim trabalhamos!) Mas outro feriado se aproxima. Quarta-feira é Yom haAtzmaut, dia da Independência e do aniverário de 58 anos de Israel. O país está pintado de azul e branco, como mostram as fotos que eu tirei em Jerusalém durante a semana passada. Clima de aniversário!

Mesmo assim, o espírito nesse dia do Trabalhador é de tristeza e lembrança dos soldados e civis israelenses mortos em guerras e atentados. Começou o Yom haZikaron, outra data morna, em que ouve-se duas sirenes (na foto, durante a sirene desta noite, os motoristas páram os carros e ficam de pé ao lado, no meio de uma rodovia), realiza-se atos memoriais por todo o país e se percebe um tom de luto que acaba na primeira estrela de amanhã, terça. Depois, shows em diversas cidades para comemorar e espairecer.

Dia da Independência é também dia de estatísticas e de saber quantos são os israelenses. De acordo com a última contagem do Escritório Central de Estatísticas, são sete milhões de cidadãos, dos quais 76 por cento são judeus e 20 por cento, árabes. Significa que há em torno de 5 milhões e trezentos mil judeus vivendo ao lado de 1,4 milhão de árabes. E no ano passado 21 mil novos imigrantes chegaram a Israel.

Claro que também aqui existem os do-contra. À noite, enquanto o país via diante da televisão programas monotemáticos, ortodoxos em Jerusalém insultavam a memória dos soldados mortos. A polícia foi chamada, relatou a manifestação como "muito séria", mas não prendeu ninguém. Dá uma olhada.

É o absurdo da nação... Há quem diga que por culpa de atitudes assim os problemas mais graves de Israel são os internos, e não os que o país tem com os palestinos ou os países árabes. Como o Bean mostrou semana passada, esses ortodoxos penduraram cartazes com dizerem como "Sionistas são cães", "Cuidado! Sionistas mordem" e "A besta sionista não é humana". E são judeus...

[UPDATE] Perguntei a uma amiga minha afinal qual o sentimento dela, como israelense, diante do Yom haAtzmaut. A resposta foi surpreendente. O Yom haZikaron fala a ela muito mais forte e muito mais ao coração do que o dia da Independência. Ela me contou que hoje à noite vai a uma festa em Haifa, onde vive, e que não se pensa na data com o significado que ela tem.

Na verdade, ela me disse que ficou bolada com a minha pergunta (mandei pelo celular uma mensagem questionando qual o sentimento dela nesta data, sendo israelense). Ficou triste por se dar conta de que o real significado acaba esquecido, perdido. E explicou que a sirene de Yom haZikaron a emociona muito.

Não é por menos. Todo israelense conhece alguém que foi morto em algum atentado ou alguma guerra. Mais: todo israelense conhece algum soldado ou já foi um. Resultado: falar de memória aos caídos é muito mais próximo deles do que falar em independência. Yom haAtzmaut é só dia de festa!

Mor, here you have it, in Hebrew!

[OUTRO UPDATE] Só hoje consegui contar minha emoção com a sirene.

Este post, escrito durante uma madrugada de telemarketing e reflexão, vai para os 22.123 civis e soldados israelenses que morreram em guerras e em atentados. É essa multidão que o país pára para homenagear no Yom haZikaron.

Atualizei meu flog com uma foto relacionada ao tema deste post, aqui.

quarta-feira, abril 26, 2006

De olho no Irã, lá do alto

A imagem ao lado é a abertura do site Ynetnews do dia 26 de abril, quando Israel lançou ao espaço um satélite espião para, de acordo com o que li cá e lá, vigiar o desenvolvimento nuclear do Irã, a mais séria ameaça que o país tem hoje - muito mais séria do que o Hamas no governo da Autoridade Palestina e os homens-bomba que se explodem em meio a multidões.

Estamos falando, afinal, de um programa nuclear com fins questionáveis, já que o Irã é uma potência produtora de petróleo e não precisa de urânio como fonte de energia, como alega. As loucas declarações do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad atestam que as intenções do país dele não são as melhores. E, como já vimos em 1991, com o exemplo do Iraque, quem acaba levando a paulada na cabeça é Israel.

Mas o que me chamou a atenção nessa notícia do Yediot Acharonot foi o discurso do ministro de Defesa Shaul Mofaz. Vale reparar que ele foi feito um dia depois de Yom haShoá. Mofaz ter dito que Israel pode contar apenas consigo mesma me fez lembrar do Holocausto e daquilo sobre o que falei no último post, de que se houvesse Israel, talvez não tivesse acontecido a Shoá.

Ninguém sabe, é claro.

Mesmo assim, ouvimos por aqui que embora a data do lançamento do satélite tenha sido fixada por razões técnicas, o fato de coincidir com a Shoá tem um valor simbólico inegável. "Mostra que Israel dispõe hoje de meios para se defender que os judeus não tinham há mais de 60 anos". Palavras de um oficial do governo.

Fato é que Israel lançou aos ares, no bom sentido, um satélite espião com câmeras capazes de identificar objetos de 70 centímetros a uma altura de 480 a 600 quilômetros, o que cheira a tecnologia de ponta a serviço da inteligência militar.

E na Polônia, o velho Shimon Peres deu o recado: "depois de Adolf Hitler, Ahmadinejad é o primeiro homem que se ergue para dizer que o povo judeu deve ser exterminado". Israel, agora, está de olho, lá do alto.

O post vai aos milhares que ainda sofrem as conseqüências do acidente nuclear em Chernobyl, na então União Soviética, atual Ucrânia. Fez 20 anos, ontem.

terça-feira, abril 25, 2006

Holocausto em pauta

Talvez você não soubesse, mas hoje é dia do Holocausto. É quando se relembra, todos os anos, o assassinato de 6 milhões de pessoas pelo regime nazista na Europa, 60 anos atrás, só por serem judeus.

A comemoração é mundial, mas em Israel tem um gosto diferente. Por um dia, quase nada funciona (as lojas param, as escolas se voltam para o tema). Atos em lembrança aos mortos se realizam por todo o país, como o que rolou ontem à noite aqui em Jerusalém.

E em um determinado momento do dia, que eu vou tentar gravar e audiopostar, as pessoas param por alguns minutos e todo o ruído das cidades é substituído por uma sirene.

O mais louco é o que rola na tevê. Durante todo um dia, alguns canais suspendem a programação. Outros passam apenas programas relacionados com o Holocausto - filmes, documentários, programas de debate. O canal 24, espécie de MTv daqui, toca músicas dessas que dão vontade de dormir...

E os políticos, claro, aproveitam. O recém-eleito Rafi "Mr. Magoo" Eitan, do partido dos velhinhos, que foi espião e responsável pela prisão na Argentina de Adolf Eichman, fez um discurso a respeito na Knesset, o primeiro desde que tomou posse.

Yom HaShoá. Confesso que o tema do Holocausto me fala muito mais de longe do que fala a outras pessoas, hoje netos de sobreviventes ou parentes dos que não sobreviveram. Pessach e temas como a perseguição em países árabes me falam muito mais ao coração do que a Shoá. Mesmo assim, me sensibilizo com a memória dessa data.

Bom, vale dizer que Yom haShoá é como uma tempestade depois da qual vem o arco-íris bicolor, chamado por aqui de Yom haAtzmaut, dia da independência. Aos poucos o país vai pendurando bandeiras, amarrando fitas nas mochilas e trocando o preto-e-branco da memória pelo azul-e-branco da alegria de ter hoje um Estado. Reflete comigo: se houvesse Israel há 60 anos, teria existido Holocausto?

[MAIS]
Matérias no Jerusalem Post e no Ha'aretz.

Este post, que não precisa ser fúnebre, vai para um violonista que eu conheci aqui em Jerusalém, no Yad VaShem, o Museu do Holocausto. Foi tocando que ele se salvou da morte em um campo de concentração nazista. E hoje ensina que a memória deve ser guardada, passem quantos 60 anos passarem, para que a história não se repita.
[UPDATE] Dois comentários sobre esse assunto todo. Uma amiga minha francesa, que acabou de voltar de Paris, onde passou Pessach, me comentou hoje que a situação por lá está péssima. Palavras dela: "pior do que antes do nazismo, com manifestações contra Israel e contra judeus por toda parte". Ela falou do Le Pen, que prometeu, se eleito, criar campos de concentração para estrangeiros... E, bem, nunca nos esqueçamos do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que 60 anos depois nega o Holocausto e o direito de Israel de existir.

segunda-feira, abril 24, 2006

Sobreviver à guerra

Ia quase me esquecendo... Fez quatro anos, ontem, que eu vim parar em Israel pela primeira vez. Vim para estudar hebraico em um kibutz, no norte do país, perto de Afula, uma cidade tão pequena quanto pacata, tão parada quanto distante. Me lembro de quando cheguei em Afula, de onde deveria tomar um táxi para o kibutz, 20 minutos de carro dali - e que o taxista, notando como eu estava desengonçado com malas e sem hebraico, me cobrou quatro vezes o valor que eu pagaria depois de passar a conhecer o trajeto.

Enfim, o que eu quero não é contar da viagem, dos seis meses sensacionais que eu passei aqui, das pessoas que conheci e de como foi bom me largar em uma aventura da qual não me arrependo em nada. Quero é contar que dias antes de viajar, numa festa de despedida, rolou entre amigos um caderno que eu trouxe comigo e tenho até hoje. E um cara escreveu uma coisa da qual me lembro sempre, pela poesia e sinceridade dele. Bom, hora de deixar de fazer mistério!

Gabriel,
Sobreviver à guerra não é tão difícil assim. Um bando de gente sobreviveu. O difícil é sobreviver à guerra como fizeram Hemningway, Celine, Cervantes, Jack London. É sobreviver a ela e, além disso, conseguir transformá-la em relatos, narrativas, palavras, notícias - quiçá em poesia. Meu desejo mais sincero não é que você simplesmente sobreviva à guerra. É mais que isso, que você tenha a força e o empenho necessários para transformar essa experiência em algo mais. Retransformar a guerra em poesia. E carregar essa experiência consigo para todo o sempre, ao mesmo tempo que a divide com cada um de nós. Boa viagem.


Passou L'Auberge espagnole hoje aqui na TV. É o filme da minha vida, preciso dizer de novo! Foi bom rever e ler as legendas em hebraico. Saudade da época quando o vi pela primeira vez, também em 2002. Estou precisando ser um pouco Xavier de novo... Estou ansioso para ver a continuação, Les Poupées russes.

Teve um atentado hoje à noite no Egito, na Península do Sinai, com três explosões e pelos números que vi até agora, cerca de 100 vítimas, entre mortos e feridos. Mais no Ynet e na Estadão. Dahab, onde rolaram as explosões, fica a uns 70 quilômetros de Sharm el-Shaikh, onde em julho do ano passado um atentado matou dezenas de pessoas.

domingo, abril 23, 2006

Quanta gente, quanta alegria...!

O atentado da semana passada me fez adiar esse post. Mas não quis deixar de publicar, assim mesmo. Enfim, não quero exagerar, mas o seder de Pessach lá em Haifa foi uma farra, com muita gente e muita, mas muita comida. E foi muito divertido!

Semanas atrás, no meio da febre de cartões de Pessach e de emails desejando chag sameach, recebi um muito engraçado. Parecia ser redigido por uma criança contando como via o seder bagunçado de Pessach. Bom, não deixei de pensar no email durante o jantar em família no norte do país...

Por isso, tomo a liberdade de reproduzir aqui alguns trechos do email, com tradução livre minha (o original veio em espanhol).

Pessach ou peissach?
Quando eu era criança, pensava que Peissach e Pessach eram duas festas diferentes, cuja comemoração coincidia no tempo: enquanto na sinagoga se festejava Pessach, na minha casa comemorávamos Peissach.

Ao ver minha avó cozinhando, me perguntava se ela o fazia daquela maneira para recordar como os judeus trabalhavam quando eram escravos no Egito.

Eu tinha um tio que às vezes chegava tarde ao seder, porque sempre apareciam "clientes de última hora" em sua loja. Um outro tio sempre brincava que se fosse por ele, os judeus ainda estariam no Egito, e Moshe Rabeinu estaria pedindo que ele se apressasse com o último cliente. Outro tio chamávamos de Eliahu Hanavi, porque quando ninguém estava olhando, tomava umas e outras.

Sempre que minha avó servia alguma coisa, perguntava "gostou, goustou?" Meus primos e eu imaginávamos que se tratava de uma tradição de Peissach. E que Moisés sempre fazia a mesma pergunta quando os judeus comiam...

No seder sempre havia muitos tios. Eram os meus tios, os tios dos meus pais, tios da família em geral e tios que ninguém sabia exatamente de quem eram tios... Depois que alguém entrava na família na categoria "tio", ninguém mais tirava o título.

A vovó servia a comida a toda aquela gente e depois perguntava a todos: "corto mais um pedacinho?" A pergunta não caía bem entre os garotos... Ela calculava a quantidade de comida para mais ou menos a mesma quantidade de judeus que saíram do Egito. Quando ninguém agüentava mais, ela vinha com mais e mais pratos...

E assim, também, foi o nosso seder, com crianças (inclusive meu irmão, de 4 anos) correndo atrás do afikoman, comida e mais comida, leitura apressada da hagadá para começar a comer logo e aquela sensação de saciedade que chegou antes do fim dos pratos, bem antes da sobremesa e do cafezinho, aquele papo de família (com o detalhe de que não conhecia ninguém lá!) e uma sensação gostosa de que, afinal, tenho parentes nessa terra oriental!
Publiquei meu primeiro parágrafo único, aqui.

Tem uma foto do seder no meu flog, aqui.

sexta-feira, abril 21, 2006

Chefetz chashud!

Um tanque para explosão controlada de objetos suspeitos. Isso é o que aparece na imagem do post O que é, o que é do domingo passado. Alguém até deu o palpite correto, lá nos comentários, mas esqueceu de assinar! Uma coisa muito comum aqui em Israel, mais comum do que gostaríamos, é o que se conhece por chefetz chashud, objeto suspeito.

Sempre que alguém esquece, propositadamente ou não, algum objeto na rua e a polícia o considera suspeito, a cena que se segue é quase hollywoodiana. Viaturas estacionadas na diagonal cortam o fluxo do trânsito. Policiais afastam as pessoas da área, geralmente aos gritos. O esquadrão anti-bombas chega rápido.

E um policial do esquadrão, vestido para explodir, se aproxima do objeto (ou usa um robô equipado com câmera) e analisa como vai detonar o artefato. Minutos depois, bum! Nem sinal do negócio.

Tem uma história do jornalista Nahum Sirotsky segundo a qual ele carregava certa vez uma máquina de escrever, pesadona, e a deixou no meio da rua para pedir ajuda. Quando voltou, tinha sido explodida... O Nahum, que vive em Tel Aviv, foi tema do meu trabalho de conclusão de curso na faculdade em 2004.

[Desafio "onde está Wally?"] Você consegue achar policiais do esquadrão anti-bombas (chablanim) correndo para inspecionar uma maleta suspeita nesta imagem?

Chegou a sexta-feira, que, como todas as sextas, promete ser tranqüila. No final das contas Israel decidiu nem atacar os palestinos em resposta ao atentado que, como o premiê disse hoje, foi encomendado pela Síria...