quarta-feira, abril 26, 2006

De olho no Irã, lá do alto

A imagem ao lado é a abertura do site Ynetnews do dia 26 de abril, quando Israel lançou ao espaço um satélite espião para, de acordo com o que li cá e lá, vigiar o desenvolvimento nuclear do Irã, a mais séria ameaça que o país tem hoje - muito mais séria do que o Hamas no governo da Autoridade Palestina e os homens-bomba que se explodem em meio a multidões.

Estamos falando, afinal, de um programa nuclear com fins questionáveis, já que o Irã é uma potência produtora de petróleo e não precisa de urânio como fonte de energia, como alega. As loucas declarações do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad atestam que as intenções do país dele não são as melhores. E, como já vimos em 1991, com o exemplo do Iraque, quem acaba levando a paulada na cabeça é Israel.

Mas o que me chamou a atenção nessa notícia do Yediot Acharonot foi o discurso do ministro de Defesa Shaul Mofaz. Vale reparar que ele foi feito um dia depois de Yom haShoá. Mofaz ter dito que Israel pode contar apenas consigo mesma me fez lembrar do Holocausto e daquilo sobre o que falei no último post, de que se houvesse Israel, talvez não tivesse acontecido a Shoá.

Ninguém sabe, é claro.

Mesmo assim, ouvimos por aqui que embora a data do lançamento do satélite tenha sido fixada por razões técnicas, o fato de coincidir com a Shoá tem um valor simbólico inegável. "Mostra que Israel dispõe hoje de meios para se defender que os judeus não tinham há mais de 60 anos". Palavras de um oficial do governo.

Fato é que Israel lançou aos ares, no bom sentido, um satélite espião com câmeras capazes de identificar objetos de 70 centímetros a uma altura de 480 a 600 quilômetros, o que cheira a tecnologia de ponta a serviço da inteligência militar.

E na Polônia, o velho Shimon Peres deu o recado: "depois de Adolf Hitler, Ahmadinejad é o primeiro homem que se ergue para dizer que o povo judeu deve ser exterminado". Israel, agora, está de olho, lá do alto.

O post vai aos milhares que ainda sofrem as conseqüências do acidente nuclear em Chernobyl, na então União Soviética, atual Ucrânia. Fez 20 anos, ontem.

7 comentários:

leticia disse...

Eu nunca esqueci quando ouvi esse nome e a notícia desse terrivel acidente, mas claro q eu só tinha 2 anos, então, por menor que eu fosse, devo ter visto a tal matéria em uma data especial..o nome e tudo que se remete a Rússia sempre me atraiu e suas histórias dramáticas..Acho que foi a primeira vez em que pensei seguir pelo caminho do jornalismo...

cilene disse...

e duro esse conflito...nao entendo muito desse assunto...mas Israel pode mesmo ser atacadoo

Lili disse...

O orkut está fora do ar então vou deixar um recadinho aqui mesmo....hehehe
Saudades de conversar com você!
Estou indo passar o feriado na praia...até mais....bjossssssssss

Everton Rodrigues disse...

Por que o Irã "não pode" ser soberano com relação à sua energia?

Até o El Baradei (não sei se escreve El separado :P) tá vacilando, não sabe se vai ser um chefe de gabinete ou um cidadão comum, a diferença é sutil.

Eu acho que o problema do Irã é com os EUA diretamente, e em segundo plano com Israel. Ainda mais depois da invasão iraquiana. Pode ser que o chiliquento do (pô, não sei escrever o nome dele, vou copiar do seu) Ahmadinejad resolva pegar um atalho, mas acho improvável.

Tanto que quem mais fala na TV daqui e da Europa ultimamente é a AIEA (leia-se EUA) e o próprio gabinete de defesa americano.

Everton Rodrigues disse...

Ah, lembrei... é claro que uma "arma de destruição em massa" não consegue cruzar meio mundo, não as que eu conheço...

Os americanos têm na reserva (erm, ainda usam) algumas (erm, várias) lançadas de aviões, mas faz tempo que não são vistas.

Everton Rodrigues disse...

Mas o que faz dos europeus melhores que os iranianos?

Você não lembra que a França realizou vários testes nucleares no início da década de 90 a troco de "nada"?

O Ahmadinejad, assim como o Hitler, o Bush e todo e qualquer Chefe de Estado com "C" maiúsculo, só quer legitimar a soberania sobre o seu território. Acontece que determinadas ações, como a retomada de um programa nuclear, incomoda muita gente.

Aqui no Brasil mesmo, faz pouquíssimo tempo que vieram encher o nosso saco, lembra? Queriam vistoriar cada rosca de porca de usina nuclear e a gente disse não.

É claro que Brasil e Irã não têm nada a ver, mas vale a pena lembrar que algumas coisas são uma mera questão de soberania.

A gente aqui tem mais do que condições de abastecer o território com hidreletricidade, no entanto temos duas usinas (capengas) nucleares.

Mais uma vez, não é só pela questão energética, pela questão bélica ou pelo que quer que seja.

Eu acho que impedir que o Irã desenvolva o seu programa energético nuclear é dar um passo atrás na diplomacia. E também significa dizer que tudo o que os EUA e os países desenvolvidos investem na ONU não vale absolutamente nada, já que tudo é resolvido unilateralmente: Israel tem problemas com o Irã, lança satélite; EUA tem problema com Iraque, ataca; alemão tem problema com negro, mata (saiu dia desses no jornal). É tapar o sol com a peneira, na minha opinião.

aguelmann disse...

O que a maioria das pessoas não entende é que Israel não está preocupada com a capacidade nuclear do Irã (que, como já foi dito, não precisa deste tipo de energia, pois é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo), mas sim com sua segurança! Me parece claro (e óbvio) que o Irã tem todo o direito de desenvolver a tecnologia nuclear que desejar, mesmo com a intenção, se for o caso, de destruir Israel. E isso justifica Israel a garantir a sua segurança, seja como for. Se o Irã pode atacar Israel, Israel pode se defender do Irã.