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domingo, outubro 15, 2006

Chove, chuva

Correria para tirar roupas do varal, fechar as janelas, achar o guarda-chuva desaparecido há meses, tirar da mala de inverno uma blusa quente para poder sair de casa... Está caindo a primeira chuva do ano novo judaico em Israel.

domingo, outubro 01, 2006

Águas de março

Israel vai saindo do verão. Primeira medida: voltar, agora, às duas da manhã do domingo, os relógios para 1AM. Acaba o horário de verão, acordamos no escuro ainda. Em algumas semanas, começa o frio. Pelo menos agora Israel e o Brasil têm 5 horas de diferença horária, apesar dos 17 mil quilômetros de sempre.

Tzom kal aos que jejuam hoje. Gmar chatimá tová. No Brasil, é dia de eleições - votem com consciência dessa vez...

[PARECE QUE FOI ONTEM] Outro dia o verão estava só começando, dando um sopro quente desavisado em uma manhã de junho. O tempo está voando...
[FÉ EM IMAGENS] (update) Estive no Kotel na madrugada de domingo, antes do amanhecer, até que ficou claro na primeira manhã de horário de inverno. Fiz algumas fotos por lá, de muita gente diante do Muro. Rostos e gestos de fé. Uma foto aqui. Todas aqui.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Onze de setembro todo dia

Nos últimos dias estive pensando sobre o que escreveria para marcar o quinto aniversário do onze de setembro. Lembro que em 2001 recebi no consulado dos EUA um visto para viajar para Nova York que valia entre o fim de agosto e o fim de setembro. Por uma dessas circunstâncias da vida, não fui. Fiquei em São Paulo e cobri de lá o nine-eleven.

Estava no ônibus, a caminho do trabalho em uma terça-feira ensolarada de rodízio, quando meu pai ligou no celular avisando que uma das torres gêmeas tinha sido atingida por um avião. Desci do ônibus e tomei outro caminho. Havia muitos boatos e bastante desinformação. No consulado norte-americano em São Paulo, portas fechadas.

Cinco anos se passaram e hoje estou em outra realidade. Vivo há dois anos e pouco em um país que conhece de perto a ameaça terrorista travestida de suicídios jihadistas. A estratégia ganhou força na segunda intifada, que começou um ano antes dos atentados às torres gêmeas, no setembro da visita de Ariel Sharon que foi usada como pretexto para a revolta.

Cinco anos depois, às vésperas de mais um onze de setembro, uma pesquisa publicada no Jerusalem Post mostra que mais e mais palestinos apóiam o terrorismo. Não é de se surpreender, verdade seja dita. Depois da segunda guerra do Líbano e dos resultados do conflito que se estendeu por trinta e poucos dias, esperar um apoio amplo à paz entre palestinos é sonho.

E a sensação é a de que sonhar com a paz é perda de tempo em Israel. Já virou lugar-comum ouvir de israelenses que eles deixaram de acreditar na paz. Sem generalizações. Apenas um sentimento compartilhado de cansaço com um conflito que não se estende, mas se arrasta, há longas décadas. Gerações já viram e entenderam que paz é motivo de risada...

Cinco anos depois do onze de setembro, morando em Israel, observo as coisas a partir de outra perspectiva. O susto com as imagens que pareciam de filme há cinco anos passou. Aqui em Israel lida-se com o assunto segurança diariamente - ao subir em ônibus, ao entrar em qualquer edifício, ao caminhar pela rua.

Um texto muito interessante do Jerusalem Post, no caderno de fim de semana, tenta explicar porque o approach israelense não consegue adeptos nos EUA do nine-eleven. Comparar os dois países é impossível - os números de lá são esmagadoramente maiores do que os daqui em população, circulação de pessoas em aeroportos etc...

Mais: aqui em Israel vivemos a necessidade de dedicar atenção a qualquer objeto suspeito. O cidadão sabe que ignorar uma mochila esquecida num ônibus pode significar a diferença entre estar ou não vivo no segundo seguinte. O israelense sabe como e a quem recorrer em um caso assim. E, o mais importante: recorre, de fato.

Onze de setembro... Qualquer pessoa, em qualquer ponto do planeta, lembra o que estava fazendo quando as torres foram atingidas. Em Israel a memória de atentados terroristas e de pessoas próximas que foram mortas em cafés ou viajando de ônibus fazem parecer que vive-se aqui um onze de setembro a cada dia.

domingo, julho 30, 2006

Tzav Shmone

Mostrou agora no "Jornal Nacional" de Israel, que, como no Brasil, vai ao ar às 8 da noite: soldados que receberam durante o fim de semana o chamado "tzav shmone", carta que comunica aos reservistas que devem se alistar e se alinhar às tropas na fronteira.

A situação da guerra com o Líbano, que hoje teve um capítulo sério e comprometedor para Israel, com a morte de quase 60 civis na vila libanesa de Qana, está exigindo o recrutamento de novos soldados, mais e mais.

O que chamou a atenção na matéria do canal 10 foi o espírito de família que existe em Israel. Não quero soar piegas, mesmo. Mas aqui é muito forte esse negócio de que o soldado é o pai, o irmão, o vizinho de cada cidadão. Na matéria apareceu uma família inteira (pai e dois filhos) que receberam o tzav shmone e, de manhã, colocavam a farda para atender o chamado.

A sensação que ficou é essa. A de que as pessoas são chamadas para o front e quem não vai fica com os olhos e os ouvidos grudados nas notícias...

sábado, julho 22, 2006

Cobertura de guerra

Bastou acontecer o seqüestro de dois soldados e Israel reagir: jornalistas de todo o mundo estão se amontoando na região para cobrir os eventos com a exclusividade que puderem, direto do front. É claro que o assunto é importante e é mais claro que vende.

Só a CNN, que na minha opinião está liderando a cobertura, tem um total de dezessete correspondentes espalhados por Israel, Líbano, Síria e Chipre.

Tenho acompanhado especialmente a CNN desde o início do conflito. Eles não demoraram em mandar muita gente boa para cá, além dos dois correspondentes que já estavam fixos. Até a correspondente Christiane Amanpour, que andava sumida, veio.

Cobertura de guerra tem um quê especial. Nem tive tão perto assim de tropas, embora tenha circulado pela região norte logo nos primeiros dias dos conflitos e conversado com muitos moradores. Mesmo assim, sendo jornalista, sinto que é importante estar aqui - é a velha máxima: estar no lugar certo, na hora certa.

O momento é delicado e o conflito entre Israel e o Hizballah pode durar semanas. Por isso, cancelei a viagem que estava marcada para terça-feira, para o Brasil. Fico pelo menos até o final de agosto e continuo correspondendo para a RFI, de Paris, e colaborando com a Eldorado AM, em São Paulo.

Acho importante explicar que o conflito está bastante longe de Jerusalém. Como comentei no AoE, nem se sente por aqui os efeitos do que está rolando no norte. Isso chega a incomodar - a população parece ainda apática e desinteressada embora muita gente esteja morrendo alguns quilômetros mais ao norte.

Outra faceta interessante da cobertura sobre o conflito são os blogs. Embora não tenham ainda a credibilidade dos grandes veículos, os blogs dão uma visão diferente e mais pessoal do que está acontecendo por aqui. Gosto de ler alguns blogs, feitos por internautas dos dois lados, para ter uma noção do que vai pela cabeça das pessoas.

[VEÍCULOS] Para acompanhar a cobertura do conflito, clique: CNN, YnetNews, Ha'aretz, Jerusalem Post, AlJazeera (inglês), Folha de S. Paulo (português) [outros? mande pra ]
[BLOGS] Para ler os depoimentos de pessoas vivendo e vendo o conflito de perto, clique: Blog do Bean, Terra Estranha (português, de Israel), Israeli Bunker (inglês, de Israel), Entre tapas e copas (português, do Líbano), The wizard of Beirut (inglês, do Líbano) [outros? mande pra ]
[AINDA A MÍDIA] Depois que Israel atacou antenas do canal de televisão Al-Manar, no Líbano, e a Federação Internacional de Jornalistas, à qual sou filiado, emitiu um comunicado de condenação, jornalistas israelenses retiraram a filiação da FIJ. Aqui. A Al-Manar é a televisão do Hizballah.

sexta-feira, junho 23, 2006

Fundamentalismo preconceituoso

If gays will dare approach Temple Mount
during parade – they will do so over our dead bodies

Ibrahim Sarsur, deputado árabe

'The feeling is that Jews disgrace Jerusalem's
holiness with the government's encouragement
'
rabino israelense


Está na capa do YNet News de hoje: judeus e árabes juntos contra gays, aqui. Confesso que senti uma mistura de alívio (judeus e árabes unidos por uma causa?) e desprezo. De novo, o fundamentalismo dá as caras, dessa vez na faceta preconceituosa contra os homossexuais.

Para quem não sabe, estão agitando para daqui a dois meses uma parada gay em Jerusalém, que certamente vai ser bem menor que a que rolou recentemente em São Paulo. Os ortodoxos - dos dois lados, como mostra a matéria do YNet News - são contra.

Não é novidade. No ano passado a parada em Jerusalém, a primeira realizada na capital, acabou mal. Um judeu ortodoxo esfaqueou um dos 4 mil participantes da marcha colorida, que parou o trânsito e estampou manchetes.

A coisa é bem diferente do que rola em Tel Aviv, onde a sociedade é bem mais liberal. Parecem dois mundos, separados por apenas 45 minutos e por pelo menos duas linhas de ônibus freqüentes.

Mas o que me deu mais bronca foi outra declaração do mesmo deputado árabe que eu coloquei lá no alto. Para ele, o "ataque" da parada gay contra a "identidade dos jovens árabes da cidade" é "mais feroz do que o ataque sionista para judaizar Jerusalém".

Tomara todos os nossos problemas fossem a "ameaça gay".

Estou indo para Tel Aviv passar o dia.

[NO GRAMADO] E por falar em polêmica e Israel, mais uma, agora com a Copa: um jogador do time de Gana (que vai enfrentar o Brasil na terça) mostrou em um jogo, depois dos dois gols que marcou, a bandeira israelense. É que ele joga aqui, quis fazer uma espécie de agradecimento e homenagem. Se deu mal. Teve que pedir desculpas oficialmente por poder ter ofendido alguém. Absurdo... O Bean conta mais no blog dele, aqui.

quinta-feira, junho 15, 2006

Amigo é pra essas coisas...

Parece piada em se tratando do país no qual mais pessoas morreram na história recente vítimas de terror. Mas é verdade: morre-se mais em Israel em acidentes de trânsito do que em atentados terroristas.

Todo dia há notícias de acidentes, com imagens e números chocantes... Da mesma forma que falam da previsão do tempo, falam em quantos se arrebentaram nas estradas.

E não acontece só no noticiário. No feriado de independência eu estava com o carro do meu pai e fui para uma rave em Tel Aviv (sim, eu numa rave). Na volta, dirigindo pela estrada em direção a Netania, onde ele mora, estava meio aflito porque estava bem cansado, pescando no volante, e de repente vi dois carros arrebentados no caminho.

É... Os israelenses têm uma capacidade incrível de detonar os carros e provocar acidentes hollywoodianos, mesmo dirigindo carros modernos em estradas-tapete, perfeitas, que são recapeadas e repintadas a cada poucos meses. Fora que não são muito mestres em cuidar dos carros, que vivem sujos, riscados. Vai entender...

Bom, o resultado de estatísticas tão tristes não poderia ser outro: campanhas e mais campanhas pela conscientização ao dirigir. Uma delas, que está no ar na rádio Galgalatz, provavelmente uma das mais ouvidas daqui, fala do famoso "amigo da vez", o escolhido da noite para dirigir e não beber, e trazer os amigos de volta para casa seguros.

O conceito, também usado no Brasil, é o mote da campanha Im shotim lo nohagim, bishvil ze iesh chaverim. A frase tem sentido duplo em hebraico. A palavra shotim, dependendo de como é grafada, significa "bebem" ou "idiotas". Im idem - pode ser "se", pode ser "com". Ou seja: "com idiotas não se anda", "se beber não se viaja" (também nohagim tem sentido que cabe nas duas versões).

domingo, junho 11, 2006

O caro pacote da Copa

A bola já está rolando nos gramados da Alemanha e por aqui em Israel o que rola é uma polêmica: quem pode ver os jogos. Tudo isso porque uma TV comprou os direitos e fez um pacote, que custa mais de 100 dólares, para transmitir os jogos. Significa que além da assinatura dos serviços de cabo, os israelenses teriam que pagar um adicional.

Se fosse no Brasil, isso seria razão suficiente para um quebra-quebra, uma revolução civil! Mas como Israel não é, nem de longe, o país do futebol, apesar de ter estado bem perto da classificação e de poder participar pela segunda vez de um "mundial", o máximo que rolou aqui foi um boicote e uma petição. O resultado: "apenas" 38 mil pessoas assinaram o serviço.

A partida inicial, entre os alemães e a Costa Rica, rolou num canal aberto. A segunda, na qual o Equador lavou a Polônia, diminuindo minhas chances no bolão do qual estou participando, só viu ao vivo quem pagou os 100 dólares! Eu vi porque uns amigos compraram o caro pacote da Copa... Na terça-feira, estréia do Brasil, as TVs vão transmitir o jogo, contra a Croácia. Mas não vou estar diante da TV - vai rolar festinha brasileira num bar aqui, com direito a telão e cerveja!

E não quero nem saber. Adotei a campanha do Batendo Bola, e para mim, dia de jogo do Brasil é feriado, mesmo em Israel! Vou sair pro bar enrolado na minha bandeira gigante, com camisa canarinho... Enfim, o espírito é o do vídeo abaixo!



Enfim, minha torcida é mesmo pela Costa do Marfim!

[MAIS]
Especial BBC Copa do Mundo, em português.

terça-feira, junho 06, 2006

A seguir escenas del próximo capítulo...

Não é à toa que em Israel se falam tantos idiomas, e tão bem, e mesmo por gente que não tem pais ou avós de determinado país. Outro dia encontrei uma russa que trabalha em um fast food de comida chinesa e fala português bem demais para alguém que não tem pais brasileiros. Ela não tem. Tem é o hábito de ver novelas brasileiras, o que a ajudou a aprender o idioma. Bom, é o que ela diz...

Espanhol, muito mais comum nos canais Viva ou Viva Platina, onde a maioria das novelas é argentina ou mexicana mesmo, é fácil de achar pelas ruas, não apenas falantes, mas entendedores, e bom entendedores - afinal, há muitos olim chadashim de países de fala hispana. Fica até arriscado falar em espanhol no ônibus se você não quiser que ninguém te entenda além do seu interlocutor. E há sempre a chance de ouvir a pergunta:
Eize safá atem medabrim? Que língua vocês estão falando?
É... Israel não é o país das dublagens, definitivamente. Qualquer programa em qualquer idioma e em qualquer canal de televisão (menos os russos...) é legendado - filmes, novelas, documentários, programas eróticos... Mantém-se o original com suas qualidades e defeitos. E o povo aprende outros idiomas.

Isso, claro, sem contar que é um ótimo exercício para quem está aprendendo o hebraico. Em casa, por exemplo, é programa quase religioso sentar diante da televisão, todas as tardes, às 18h47, e ver Celebridade. Não apenas porque Celebridade é a única novela que presta, e nem tanto porque é oportunidade de escutar português e ver paisagens maravilhosas do Rio...

Mas muito porque podemos ler as legendas - e em geral morrer de dar risada com as traduções... Duro mesmo é ver no final de cada parte as "escenas del próximo capítulo"...

Do Blog do Bean, imagens da novela captadas na televisão, aqui.

domingo, maio 14, 2006

Mas não com essa farda...

Agora é oficial: não vou mais servir nas Forças de Defesa de Israel como estava previsto desde 2004, quando eu cheguei. Explico: existe uma lei nova, de acordo com a qual quem tem que servir apenas por 3 meses (é o meu caso, porque tinha 25 anos ao chegar) pode escolher entre pedir a dispensa ou servir por um semestre. Tive que dar uns berros para descobrir isso, mas funcionou.

Minha opção foi a primeira. Assinei no dia 10 de abril um documento pedindo dispensa e explicando que já sou muito velho (27 anos, quando os israelenses entram aos 18!), sou formado e tenho trabalho. São razões suficientes para que a Tzahal - que não tem dinheiro para manter um soldado que não vai fazer nada em três meses - me dispensar.
E foi o que aconteceu. Semana passada um telefonema me acordou no meio da tarde e uma soldada, que deve ter dez anos menos que eu, explicou que o serviço estava cancelado. Prometeram que mandariam uma carta avisando das minhas desobrigações militares, mas até agora não chegou nada. E, para quem não sabe, eu deveria ir para o front hoje, como o Carlinhos e o Fábio!

Pode ser que alguém esteja aí se perguntando o que me levou a pedir a dispensa em vez de servir. Eu mesmo saí do escritório de recrutamento me fazendo essa pergunta para só depois me convencer de que tinha feito a coisa certa. O negócio é que já não tenho mais idade e disposição para "trancar" minha vida durante três meses e brincar de ser soldado.

Além disso, outras duas razões, bem práticas. Uma é que eu passaria a ganhar 5% do que eu ganho hoje trabalhando. Outra que, no final das contas, um orgulho jornalístico e essa coisa de achar que a gente pode ser neutro e objetivo falaram mais alto. Agora, então, é oficial: vou lutar mas não com a farda verde-musgo.

Enfim, como tem gente que não escapou, vamos mandar pizza e hambúrguer para eles!

Este post é dedicado à Dé Blatt, que deu a dica: só mesmo armando barraco e batendo o pé em bom e alto hebraico para ser escutado por aqui. Funcionou, e agora posso lutar com outras fardas e outras armas. Vai também para a minha mãe, não só porque hoje é Dia das Mães, mas porque sei quanto é importante para ela me ver longe de armas.

quarta-feira, maio 10, 2006

O orkut dos kibutzim

Só quem já esteve em um kibutz sabe bem - é uma experiência única. Os seis meses que passei em En Dor, no norte de Israel, perto da pacata cidade de Afula, entre abril e outubro de 2002, meses quentes, foram inesquecíveis.

Imagina só: calor, uma piscina gigante, um trabalho que era mais farra do que trabalho, gente do mundo todo, aulas de hebraico a cada dois dias, e... um país inteiro ali ao lado pra conhecer, pra se aventurar - mesmo no pior ano da intifada. Foi assim. Dá saudade.

E aí uma amiga minha, que aliás aniversariou ontem, me contou de um site que é uma espécie de orkut para quem já viveu em kibutzim. Infelizmente é pouco divulgado (quer dar uma força?) e tem muita gente que nem sabe da existência. Mas quem já passou por algum kibutz - qualquer um dos mais de duzentos, pode se cadastrar lá e tentar, com sorte (porque o site não é popular como o orkut, na verdade), achar outras pessoas daqueles dias inesquecíveis.

O site, Kibbutz Reloaded, foi criado por dois loucos - um inglês e um israelense. O inglês, Victor Kremer, conta no perfil dele lá no site que durante o tempo que passou em dois kibutzim, ambos no Negev, ordenhou 270 mil vacas e fumou 426 maços de Noblesse, um dos cigarros mais baratos daqui! O outro, Uzi Dor, nasceu em um kibutz e diz que só nos pesadelos dele os kibutzim aparecem...!

Enfim, fica a dica. Se você já morou em um kibutz, entra lá. Se conhece alguém que morou em um, conta pra ele.

[MAIS] Quer voluntariar em um kibutz você também? Aqui tem informações, em inglês. E essa agência, no Brasil, faz todo o trabalho por você.

segunda-feira, abril 10, 2006

O tal do 6o sentido...

And I say 'hey, hey, hey, hey... Hey, hey, hey... I say hey! What's going on?'

Tem uma coisa com a qual eu não brinco: pressentimento. Por isso, quando acho que não devo fazer uma coisa, não faço mesmo, nem que para isso tenha que pagar um preço alto. Depois de doar sangue hoje, fui pegar o ônibus pra voltar pra casa.

Encontrei a seguinte situação na parada: a. uma garota, muito estranha, andava nervosa de um lado pra outro e sempre que o celular dela tocava, ela se afastava das pessoas; b. não havia nenhum carinha da segurança por lá.

C. uma mulher chegou perto de mim e disse assim: "O 7 está demorando muito... Mas eu sei a razão". Depois da minha pergunta óbvia, ela apóia os óculos gigantes no nariz, franzindo a testa, e responde que não vai dizer qual é...

OK. Peguei o caminho de casa a pé. Graças a D-s não aconteceu nada. Mas eu me lembrei da mensagem que recebi ontem de manhã (e que recebo todas as manhãs):

70 alertas de segurança, 11 concretos

Fui caminhando mesmo, na dúvida. Cansou, sim, mas pelo menos tirei algumas fotos da Beit Knesset haGadol beYerushalaim no caminho!

E pra quem pensa que é moleza chegar aqui e encarar o medo de terrorismo, um conto real. Quando eu estava nos meus primeiros meses, não deixava de pegar ônibus, mas sempre viajava perto da porta de trás. Se via alguém suspeito na parada, descia. O tal do pressentimento...

terça-feira, abril 04, 2006

Hello, this is Ben calling...

Vamos lá. Estou agora no trabalho, são 4 e meia da manhã e, entre uma ligação e outra, resolvi que quero contar aqui sobre... o trabalho. Faço telemarketing, algo odioso se pensarmos na realidade cultural brasileira, mas um pouco menos aqui em Israel e super comum e aceitável nos EUA. Por isso, e também porque o CEO da minha empresa não é nada bobo, abriram uma filial da IDT em Israel. Existe uma lenda segundo a qual o dono da companhia é judeu e procura ajudar os olim chadashim, novos imigrantes que chegam aqui de países de fala inglesa. Pode ser verdade, mas não boto minha mão no fogo por essa versão.

Fato é que a empresa, que ocupa seis andares em uma zona industrial de Jerusalém, bem próxima à Begin, uma espécie de 23 de maio daqui, cresceu bastante desde que chegou no país. Emprega um número enorme de pessoas, a maioria dos Estados Unidos e de países onde o inglês é a língua oficial. Mas existem funcionários (como eu, como a argentina que trabalha ao meu lado e como muitos israelenses) que vêm de outros países - no entanto, a maioria dos projetos é em inglês mesmo. E há projetos em quatro turnos, porque não operamos apenas com os EUA (o que exige trabalhar nos horários deles).

HELLO, THIS IS BEN CALLING ON BEHALF OF KNOWLEDGE NETWORKS IN CRANFORD, NJ. RECENTLY WE SENT YOUR HOME A CARD ABOUT OUR SURVEY WITH A $1.00 GIFT. BUT FIRST, ARE YOU A RESIDENT OF THIS HOUSEHOLD?

No meu projeto o que fazemos é basicamente ligar para residências nos EUA e perguntar às pessoas (àquelas que concordam em falar conosco!) sobre o uso dos diretórios telefônicos. Não vendemos nada, e isso é uma vantagem. Na verdade, como se lê na fala inicial, enviamos às casas um cartão com um dólar para que elas saibam que ligaremos. Mesmo assim, na maioria das vezes tomamos um tu-tu-tu na cara (isso na melhor das hipóteses, porque há os mau-humorados de plantão...) Isso durante sete horas por noite, seis madrugadas por semana.

Outro dia, já faz um tempinho, estava dormindo quando o telefone tocou. Em geral não atendo ligações de números desconhecidos, mas sabe-se lá porque naquele dia resolvi responder. E, que surpresa, era uma garotinha fazendo uma pesquisa - em hebraico - sobre algum serviço que eu tinha adquirido dias antes. Sonado, respondi cada uma das perguntas, ainda que só tenha entendido metade. Não podia desligar, né?!