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segunda-feira, janeiro 22, 2007

Tel Aviv de moto

(OU: de como pode-se sair de Israel sem usar passaporte)

Tel Aviv é outro país, definitivamente. Fala-se até um outro idioma, que não tem nome específico nem sotaque definido. É um idioma colorido como as ruas, as roupas, os prédios, como o céu da cidade. Da "sin city", como eu gosto de chamar. E se Tel Aviv tem cheiro de pecado, é pra lá que eu vou. E eu fui. E fui de moto - que se cometemos um pecado, que ele seja com vento na cara...!

Passei dois dias e meio em Tel Aviv depois de muito tempo sem sair de Jerusalém. Caramba. Chegar de moto, perder-se entre as ruas cercadas de prédios que arranham o céu azulado com nuvens brancas e um sol que... putz! Esse sol de inverno que aquece mesmo. A sensação é magnífica. Sabe, magnífica? Assim. Vento na cara, aquele vento com cheiro de maresia, com poesia de cidade grande...

E tem a praia, e tem o mar, e tem as pessoas circulando sem pressa, desfilando roupas coloridas - diferente do preto ortodoxo de Jerusalém, e do preto invernal de Jerusalém. Tem muita gente. Uma festa em plenos dias quentes de inverno. Sair de casa é regra. Nem que seja para ir até o supermercado na esquina (toda esquina tem um supermercado) e aproveitar para passear o cachorro branquinho de pompom no rabo.

E Tel Aviv tem muita moto. Não é como Madrid, ou como Barcelona, claro. Mas nem é como Jerusalém. Moto em cada esquina, em cada calçada, em cada cruzamento umas quatro, cinco, esperando bem na frente dos carros o verde reluzente permitir o ronrom e o disparar das muitas duas rodas. Cultura de motos diferente, até um certo respeito pelo motoqueiro que em Jerusalém não existe.

Estive dois dias e meio em Tel Aviv - e pela primeira vez voltei com a sensação de que eu devo morar lá alguma vez. É aquela história do filme Sunscreen, que todos conhecem: live in Jerusalem once, but leave it before it makes you too hard; live in Tel Aviv once, but leave it before it makes you too soft. Voltei de Tel Aviv too soft. E estou amando isso. Fez bem - especialmente porque vi gente que andava desaparecida da minha vidinha.

Próxima oportunidade, escapo de novo pra lá. Quando der, vou de vez (se é que existe essa coisa de "de vez"), para morar!

sexta-feira, novembro 24, 2006

Vá pela sombra...

Email do escritório de imprensa do governo israelense adverte aos jornalistas que trabalham no país: existe um plano de seqüestrar repórteres judeus israelenses. E o plano tem data: amanhã, sexta-feira. Que se cuidem os arautos!

Às vezes esse mundo parece cômico demais para o meu gosto...!

[BOTA-DENTRO] E depois de curto e nada tenebroso outono, estou de volta - porque com mãe e irmã aqui por perto, o blog tinha que ficar pra depois!

terça-feira, outubro 24, 2006

O presidente e eu

Não, não vou falar do presidente Moshe Katzav e das peripécias sexuais dele. Até pensei em fazer um post a respeito, porque o assunto está em todas as conversas informais aqui em Israel. Todo mundo quer saber se ele estuprou as tais mulheres, se roubou mesmo dinheiro público etc. Mas a minha política aqui vai ser a de - por enquanto - não entrar nesse assunto. Já basta ter falado a respeito na RFI semana passada, aqui.

Vale dizer que esse papo de presidente está realmente movimentando a política por aqui, com indicações de nomes novos para ocupar a residência presidencial. E a lista tem nomes como o de Shimon Peres (que perdeu em 2000 para Katzav e, como dizem as más línguas, perde até eleição pra síndico!), Elie Wiesel (sobrevivente do Holocausto e prêmio Nobel da paz) e muitos outros. Mas por enquanto nada é oficial, porque na prática o Katzav continua no trono.

Tudo isso para dizer que o título desse post não tem nada a ver com Katzav e muito menos com peripécias sexuais de figuras públicas. O presidente do título é outro. Estive hoje com Itzhak Navon, em uma entrevista rápida mas muito bacana no escritório dele aqui em Jerusalém. Navon foi o quinto presidente de Israel, o primeiro sefaradi a ocupar o cargo, entre 1978 e 1983.

Conversamos sobre o ladino, tema do meu texto na próxima edição da Revista 18. Ele cresceu em Jerusalém na década de 1920 em um bairro onde o ladino - idioma dos judeus sefaradim - era falado nas ruas, em uma época em que os imigrantes se concentravam em locais fechados como guetos. Essas coisas não existem mais - hoje sefaradim e ashkenazim estão dispersos e misturados.

Navon cresceu ouvindo o ladino - como ele disse hoje, para aprender e manter um idioma, uma pessoa tem que ouvi-lo "da fralda até mortalha". E a entrevista, minha primeira exclusiva com uma personalidade da política israelense (já estive em coletivas e eventos com o Sharon, o Olmert, o Peres e o Bibi), foi em ladino!

A entrevista correu bem e, no final, depois que eu tirei para a matéria algumas fotos dele cercado de livros por todos os lados, pipocou de repente, daquele senhor de 85 anos, ex-presidente de Israel, a pergunta: - Quer tirar uma foto comigo? Eu tirei! E você já viu - o presidente e eu!

domingo, julho 16, 2006

sábado, julho 15, 2006

Em segurança (*)

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[RFI] Clique para ouvir as entradas em português para o Brasil e para Portugal.

Novos disparos (*)

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[IMAGENS] Fotos do moshav Sha'ar Yshuv, de onde falei, aqui.

Narguila na guerra (*)

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sexta-feira, julho 14, 2006

Disparos intensos (*)

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No extremo norte (*)

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Três mísseis em Naharia (*)

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[IMAGENS] Fotos dos danos causados pelo Katyusha que caiu em Naharia, aqui.

Sinal de fumaça

A preocupação de quem apenas acompanha as notícias pela mídia é natural. Algumas pessoas me ligaram, muitas escreveram emails e a pergunta se repetiu: "como está a situação na real?" A verdade é que aqui em Jerusalém não sentimos diretamentos os efeitos dos conflitos no sul ou no norte.

Apesar de o país ser pequeno como um ovo, a capital fica distante o bastante das duas frentes de batalha para escapar de ataques e da sensação real de guerra que está assolando o país. São 60 quilômetros até a Faixa de Gaza e 200 até o norte.

Mas não tem como não sentir isso, de uma forma ou de outra. Nos próximos dias o irmão de um grande amigo meu vai ser deslocado para o norte. Ele está em Israel há dois anos, como eu, e está servindo no Exército. Milhares de reservistas foram chamados para ficar de prontidão.

Assino um serviço de notícias em tempo real pelo celular há cerca de 10 meses. Desde então, nunca vi em um só dia tantas mensagens. Recebi quase cem, com informações sobre novos ataques, dos dois lados. Assim soube da morte de uma mulher em Tzfat, outra em Naharia, dos ataques contra o aeroporto em Beirute etc etc etc.

Falei com uma moradora de Naharia, cidade fronteiriça, onde estive duas vezes - uma há quatro anos e outra no verão passado. A cidade é tranqüila e os edifícios são equipados com quartos de segurança protegidos por camadas de concreto, portas isoladas, janelas blindadas e guarnições estanques. Lá, ontem, se ouvia o disparo dos Katyusha. A polícia pediu para as pessoas se protegerem.

Pela primeira vez a cidade de Haifa, a terceira maior do país, foi atingida pelos mísseis disparados pelo Hizballah. Tentei mas não consegui falar com pessoas que moram lá. Amanhã tento de novo e deixo as sensações aqui.

[OUVINDO] Falei aqui no blog diretamente do norte de Israel. Para ouvir: Três mísseis em Naharya, No extremo norte, Disparos intensos, Narguila na guerra, Novos disparos.

segunda-feira, abril 24, 2006

Sobreviver à guerra

Ia quase me esquecendo... Fez quatro anos, ontem, que eu vim parar em Israel pela primeira vez. Vim para estudar hebraico em um kibutz, no norte do país, perto de Afula, uma cidade tão pequena quanto pacata, tão parada quanto distante. Me lembro de quando cheguei em Afula, de onde deveria tomar um táxi para o kibutz, 20 minutos de carro dali - e que o taxista, notando como eu estava desengonçado com malas e sem hebraico, me cobrou quatro vezes o valor que eu pagaria depois de passar a conhecer o trajeto.

Enfim, o que eu quero não é contar da viagem, dos seis meses sensacionais que eu passei aqui, das pessoas que conheci e de como foi bom me largar em uma aventura da qual não me arrependo em nada. Quero é contar que dias antes de viajar, numa festa de despedida, rolou entre amigos um caderno que eu trouxe comigo e tenho até hoje. E um cara escreveu uma coisa da qual me lembro sempre, pela poesia e sinceridade dele. Bom, hora de deixar de fazer mistério!

Gabriel,
Sobreviver à guerra não é tão difícil assim. Um bando de gente sobreviveu. O difícil é sobreviver à guerra como fizeram Hemningway, Celine, Cervantes, Jack London. É sobreviver a ela e, além disso, conseguir transformá-la em relatos, narrativas, palavras, notícias - quiçá em poesia. Meu desejo mais sincero não é que você simplesmente sobreviva à guerra. É mais que isso, que você tenha a força e o empenho necessários para transformar essa experiência em algo mais. Retransformar a guerra em poesia. E carregar essa experiência consigo para todo o sempre, ao mesmo tempo que a divide com cada um de nós. Boa viagem.


Passou L'Auberge espagnole hoje aqui na TV. É o filme da minha vida, preciso dizer de novo! Foi bom rever e ler as legendas em hebraico. Saudade da época quando o vi pela primeira vez, também em 2002. Estou precisando ser um pouco Xavier de novo... Estou ansioso para ver a continuação, Les Poupées russes.

Teve um atentado hoje à noite no Egito, na Península do Sinai, com três explosões e pelos números que vi até agora, cerca de 100 vítimas, entre mortos e feridos. Mais no Ynet e na Estadão. Dahab, onde rolaram as explosões, fica a uns 70 quilômetros de Sharm el-Shaikh, onde em julho do ano passado um atentado matou dezenas de pessoas.