Capital eterna e dividida
Jerusalém. Capital eterna e indivisível do Estado de Israel. Isso mesmo? Deveria ser, de acordo com a tradição popular judaica. A frase é tão consagrada que o título do post parece heresia.Como nas cidades brasileiras, aqui há lugares onde não se vai, apesar da sensação generalizada de segurança. Não sei vai por ser judeu ou por ser muçulmano. Não se vai por usar kipá ou kfia. Não se vai por medo, o simples medo de não pertencer, de destoar, de ser diferente em uma terra de diferenças.
E Jerusalém não é só aquela cujo nome aparece nos livros sagrados das religiões que insistem em ser parecidas no monoteísmo delas, apesar das diferenças. A cidade de ouro, cujas muralhas brilham nesta época do ano com o sol, tem divisões até no transporte coletivo. Ironia? No lugar em que estatisticamente mais terrorismo acontece no mundo, árabes e judeus têm linhas de ônibus independentes.
O traçado da Cerca de Segurança que rasga Jerusalém divide a cidade dela mesma. Quem pára perto da Cinemateca antes do anoitecer consegue notar não muito longe dali, depois do vale, o muro de 7 metros de altura que divide o cá do lá. Um risco tortuoso e cinza na cidade sagrada para tanta gente. Jerusalém é também a cidade na qual em alguns ônibus os homens se sentam à frente e as mulheres na parte do fundo.
A Cidade Velha, ela mesma, é território dividido, em quatro. Divisões que se entrelaçam. Os bairros são testemunhas de gente que não pertence a eles. Judeus desfilam seus ternos e chapéus pretos nas ruas com nomes árabes ou armênios. Kfias vermelhas ou pretas passeiam por esquinas do bairro judeu. Todos visitam o "quarto" cristão...
Tem uma frase interessante, que eu cito de memória, de um autor de quem não me lembro o nome agora. Jerusalém é um local esquisito: é o único local onde árabes muçulmanos vestindo trajes tradicionais vendem símbolos cristãos a peregrinos do mundo todo em troca de uma nota de dinheiro que estampa a imagem de um rabino... No final das contas a cidade dividida une religiões, une fés, une povos separados pelas diferenças.
Mas a notícia do dia por aqui foi outra, como o Pedro Doria comentou lá no NoMínimo.
[NOMÍNIMO] Entendi a razão de tantos comentários nesse post - o mesmo Pedro Doria falou do assunto e linkou o 23a idade lá no NoMínimo. Embora não concordemos na polêmica "unificação x tomada", gostei de ver o 23a em um dos sites que leio todos os dias!
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